Emagrecimento Feminino: Uma Jornada Abrangente Rumo à Saúde e Bem-Estar
- James Rodrigues
- 15 de jun. de 2025
- 15 min de leitura
Descubra como funciona o emagrecimento feminino.
Por James Rodrigues Nutricionista | 15 de Junho de 2025

Introdução: Desvendando as Complexidades do Emagrecimento na Mulher
O emagrecimento, para muitas mulheres, é uma jornada repleta de desafios e nuances que vão muito além da simples equação de calorias consumidas versus calorias gastas. A fisiologia feminina, com suas intrincadas flutuações hormonais ao longo da vida – desde a puberdade e o ciclo menstrual, passando pela gravidez e lactação, até a menopausa – exerce uma influência profunda sobre o metabolismo, a distribuição de gordura corporal e a resposta a diferentes intervenções dietéticas e de exercício. Além disso, fatores psicossociais, como a relação com a comida, a imagem corporal, o estresse e as pressões sociais, desempenham um papel crucial, muitas vezes subestimado, na busca por um peso saudável e sustentável.
Neste artigo aprofundado, mergulharemos nas mais recentes evidências científicas para desmistificar o emagrecimento feminino. Com base em uma análise rigorosa de artigos científicos de alta qualidade publicados entre 2019 e 2025, exploraremos estratégias nutricionais eficazes, a importância do exercício físico, o impacto dos fatores comportamentais e psicológicos, e as considerações específicas para condições de saúde que afetam predominantemente as mulheres. Nosso objetivo é fornecer um guia abrangente e baseado em evidências para que você possa construir um caminho mais informado, saudável e duradouro em direção aos seus objetivos de bem-estar.
1. A Ciência do Emagrecimento: Além da Contagem de Calorias
Para que o emagrecimento ocorra, é fundamental que haja um déficit energético, ou seja, que o corpo gaste mais calorias do que consome. Essa premissa básica é universal. No entanto, a forma como esse déficit é alcançado e a qualidade dos alimentos consumidos são determinantes para o sucesso a longo prazo e para a manutenção da saúde. A discussão sobre a composição ideal de macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) em uma dieta para perda de peso tem sido um tópico de intenso debate científico.
1.1. Balanço Energético e a Qualidade dos Macronutrientes
Conforme destacado por Wiechert e Holzapfel (2022) [2], em sua revisão sobre conceitos nutricionais para o tratamento da obesidade em adultos, o fator mais determinante para a perda de peso é o conteúdo energético total da dieta. Isso significa que, tanto dietas com baixo teor de carboidratos (low-carb) quanto dietas com baixo teor de gordura (low-fat) podem ser eficazes, desde que promovam um déficit calórico consistente. A escolha entre uma e outra abordagem deve ser individualizada, considerando preferências pessoais, adesão e condições de saúde preexistentes.
No entanto, a simplicidade dessa afirmação não deve obscurecer a importância da qualidade dos macronutrientes. A redução indiscriminada de gorduras, por exemplo, pode levar a um aumento compensatório no consumo de carboidratos refinados e açúcares adicionados, o que pode anular os benefícios metabólicos da restrição calórica e até mesmo promover o ganho de peso a longo prazo [4]. Alimentos ultraprocessados, mesmo que rotulados como "light" ou "diet", podem levar a um consumo excessivo de calorias e ganho de peso, como demonstrado por Hall et al. (2019) [4] em um ensaio clínico randomizado. A priorização de alimentos integrais, minimamente processados, ricos em nutrientes e fibras, é crucial para a saciedade, a saúde metabólica e a prevenção de deficiências nutricionais.
1.2. O Papel Crucial da Proteína na Preservação Muscular
A ingestão adequada de proteínas é um pilar fundamental em qualquer estratégia de emagrecimento, especialmente para mulheres. A massa muscular é um tecido metabolicamente ativo, o que significa que ela queima mais calorias em repouso do que a massa gorda. Durante um período de déficit calórico, o corpo pode, infelizmente, catabolizar (quebrar) tecido muscular para obter energia. A preservação da massa muscular magra é crucial não apenas para manter uma taxa metabólica basal saudável, mas também para a força funcional, a saúde óssea e a prevenção da recuperação de peso a longo prazo [5].
Para mulheres, que naturalmente possuem menor massa muscular em comparação com homens, a otimização da ingestão proteica torna-se ainda mais crítica. Helms et al. (2023) [9], em sua revisão narrativa sobre a fase de perda de gordura em atletas treinados em resistência, enfatizam a importância de um consumo proteico elevado para minimizar a perda de massa muscular durante o emagrecimento. Isso é particularmente relevante para mulheres que praticam exercícios físicos regularmente e buscam melhorar a composição corporal. A proteína também contribui significativamente para a saciedade, ajudando a controlar o apetite e a reduzir a ingestão calórica total.
2. Jejum Intermitente: Uma Estratégia com Considerações Femininas
O jejum intermitente (JI), que envolve alternar períodos de alimentação com períodos de jejum, tem emergido como uma estratégia popular para o emagrecimento e a melhoria da saúde metabólica. Existem diversas abordagens de JI, como a alimentação com restrição de tempo (TRE), onde a ingestão de alimentos é limitada a uma janela específica do dia (e.g., 8 horas), e o jejum em dias alternados. A revisão de Stockman et al. (2020) [6] fornece uma análise abrangente da evidência sobre a alimentação com restrição de tempo e seus efeitos na perda de peso, destacando seus potenciais benefícios na regulação da insulina e do ritmo circadiano.
No entanto, a aplicação do jejum intermitente no contexto feminino exige uma consideração mais aprofundada e cautelosa. O artigo "Effect of Intermittent Fasting on Reproductive Hormone Levels in Females and Males: A Review of Human Trials" (2023) [7] explora criticamente os impactos do JI nos níveis hormonais reprodutivos em ambos os sexos. Embora a maioria dos estudos em mulheres saudáveis e eumenorreicas (com ciclos menstruais regulares) não demonstre efeitos adversos significativos, a literatura sugere que a resposta hormonal pode ser mais sensível em mulheres, especialmente aquelas com desregulações hormonais preexistentes, como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), ou em fases da vida com maior vulnerabilidade, como a adolescência, a perimenopausa ou a menopausa. Em alguns casos, o JI pode exacerbar desequilíbrios hormonais ou afetar a regularidade do ciclo menstrual. A pesquisa aponta para a necessidade de mais estudos bem controlados para elucidar completamente os efeitos a longo prazo do JI na saúde reprodutiva e endócrina feminina. Portanto, a individualização da abordagem do JI, com monitoramento cuidadoso e adaptação às respostas fisiológicas e hormonais de cada mulher, é imperativa para garantir a segurança e a eficácia da estratégia. É fundamental buscar orientação de um profissional de saúde antes de iniciar qualquer protocolo de jejum intermitente.
3. Exercício Físico: Otimizando a Composição Corporal Feminina
O exercício físico é um componente indispensável para o emagrecimento sustentável, a melhoria da composição corporal e a promoção da saúde metabólica geral. Para as mulheres, a escolha e a combinação estratégica de diferentes modalidades de exercício são fundamentais para maximizar os benefícios e alcançar resultados duradouros.
3.1. Treinamento de Força: Construindo um Corpo Forte e Metabolismo Ativo
O treinamento de força, como a musculação, desempenha um papel insubstituível na otimização da composição corporal durante o processo de emagrecimento. Como mencionado anteriormente, a massa muscular é metabolicamente ativa e contribui significativamente para a taxa metabólica basal. A perda de massa muscular esquelética, ou sarcopenia, é um risco inerente a estratégias de emagrecimento rápido ou inadequadas, conforme detalhado em "Weight Loss Strategies and the Risk of Skeletal Muscle Mass Loss" (2023) [14]. Este estudo ressalta que a perda de peso excessivamente rápida, sem a devida atenção à ingestão proteica e ao treinamento de força, pode resultar em uma proporção desfavorável de perda de massa magra em relação à massa gorda, comprometendo a saúde metabólica a longo prazo e aumentando o risco de recuperação de peso.
Para mulheres, a importância do treinamento de força é ainda mais acentuada, considerando que, naturalmente, possuem menor massa muscular em comparação com homens. O treinamento de força não apenas auxilia na preservação muscular durante o emagrecimento, mas também contribui para a saúde óssea (prevenindo a osteoporose, uma preocupação comum em mulheres pós-menopausa), a força funcional para as atividades diárias e a prevenção da sarcopenia relacionada à idade. Integrar o treinamento de força na rotina de exercícios é, portanto, uma estratégia poderosa para construir um corpo mais forte, acelerar o metabolismo e promover um emagrecimento mais eficaz e sustentável.
3.2. Exercício e Prevenção de Lesões: Lições para Mulheres Ativas
Embora o artigo "Nutritional Considerations for Injury Prevention and Recovery in Combat Sports" (2022) [10] se concentre em atletas de combate, ele oferece lições valiosas sobre a importância de uma abordagem equilibrada para a perda de peso em mulheres ativas. A prática de "corte de peso" rápido, comum em certos esportes, pode levar a desidratação, desequilíbrios eletrolíticos, comprometimento da função cognitiva e aumento da vulnerabilidade a lesões. O estudo enfatiza a necessidade de estratégias nutricionais e de treinamento cuidadosamente planejadas para otimizar a composição corporal de forma gradual e segura, minimizando os riscos à saúde e à performance.
Para mulheres que praticam qualquer tipo de atividade física, seja ela recreativa ou competitiva, a mensagem é clara: a perda de peso deve ser gradual e acompanhada de uma nutrição adequada que suporte a recuperação muscular e a integridade óssea. Evitar dietas extremamente restritivas e focar em um plano alimentar balanceado, combinado com um programa de exercícios progressivo, é fundamental para prevenir lesões e garantir a sustentabilidade do emagrecimento.
4. A Mente e o Corpo: Fatores Comportamentais e Psicológicos no Emagrecimento Feminino
O emagrecimento não é apenas uma questão de calorias e exercícios; é profundamente influenciado por complexos fatores comportamentais, emocionais e psicológicos. A relação de uma mulher com a comida, sua autoimagem, seus níveis de estresse e suas estratégias de enfrentamento desempenham um papel tão significativo quanto a dieta e o treino. Ignorar esses aspectos é um dos maiores erros na jornada de emagrecimento.
4.1. A Importância da Alimentação Consciente (Mindful Eating)
A alimentação consciente (mindful eating) é uma abordagem poderosa que envolve prestar atenção plena às sensações físicas de fome e saciedade, aos sinais internos do corpo, aos sabores, texturas e aromas dos alimentos, e às emoções e pensamentos que surgem durante o ato de comer. Essa prática visa romper com padrões alimentares automáticos e reativos, promovendo uma relação mais intuitiva e saudável com a comida. Ao cultivar a consciência plena, as mulheres podem aprender a distinguir a fome física da fome emocional, a comer de forma mais intencional e a desfrutar mais da experiência alimentar, o que pode levar a uma redução da ingestão calórica e a uma melhor gestão do peso a longo prazo. Embora não tenhamos um PDF específico sobre mindful eating entre os fornecidos, a relevância dos fatores comportamentais é amplamente reconhecida na literatura sobre manejo da obesidade, como destacado por Elmaleh-Sachs et al. (2023) [1].
4.2. O Impacto do Estresse e das Emoções na Alimentação
Fatores psicológicos como estresse crônico, ansiedade, depressão e transtornos alimentares podem ter um impacto profundo nos hábitos alimentares e, consequentemente, no processo de emagrecimento. O estresse, por exemplo, pode levar ao aumento do consumo de alimentos ricos em calorias e açúcares como mecanismo de coping (enfrentamento), resultando em ganho de peso. A obesidade, por sua vez, pode exacerbar problemas de saúde mental, criando um ciclo vicioso [1].
A abordagem do emagrecimento feminino deve, portanto, ser multidisciplinar e holística, integrando o suporte psicológico como um componente essencial. Intervenções que visam o manejo do estresse, o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento saudáveis e o tratamento de transtornos alimentares são cruciais para o sucesso a longo prazo. O aconselhamento comportamental, conforme destacado por Elmaleh-Sachs et al. (2023) [1], é uma intervenção multicomponente que inclui automonitoramento do peso, aconselhamento dietético e de atividade física, e resolução de problemas, todos visando promover mudanças de estilo de vida sustentáveis. Reconhecer e abordar a dimensão emocional da alimentação é fundamental para capacitar as mulheres a fazerem escolhas mais conscientes e a construírem uma relação mais positiva com seus corpos e com a comida.
5. Condições Específicas e as Nuances do Emagrecimento Feminino
A jornada de emagrecimento para mulheres é frequentemente moldada por condições de saúde específicas e por diferenças biológicas inerentes ao gênero. Compreender e abordar essas particularidades é essencial para desenvolver estratégias de intervenção eficazes e personalizadas.
5.1. Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): Nutrição como Ferramenta Terapêutica
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, afetando aproximadamente 5% a 10% dessa população. Caracteriza-se por uma constelação de sintomas que incluem irregularidades menstruais, hiperandrogenismo (excesso de hormônios masculinos, manifestado por acne, hirsutismo e alopecia) e morfologia ovariana policística. A resistência à insulina e a obesidade são frequentemente comorbidades associadas à SOP, exacerbando os sintomas e aumentando o risco de complicações metabólicas a longo prazo, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares [11].
O artigo "Polycystic Ovary Syndrome in Insulin-Resistant Adolescents with Obesity: The Role of Nutrition Therapy and Food Supplements as a Strategy to Protect Fertility" (2023) [11] oferece uma análise aprofundada do papel central da terapia nutricional no manejo da SOP, especialmente em adolescentes com resistência à insulina e obesidade. A pesquisa destaca que a intervenção nutricional não visa apenas a perda de peso, mas também a melhoria da sensibilidade à insulina, a modulação hormonal e a proteção da fertilidade. As estratégias nutricionais recomendadas incluem:
Dietas de Baixo Índice Glicêmico: Priorizar alimentos que causam uma elevação gradual dos níveis de glicose no sangue, como grãos integrais, leguminosas, frutas e vegetais não amiláceos. Isso ajuda a reduzir a demanda por insulina e a melhorar a sensibilidade à insulina, um fator chave na SOP.
Ricas em Fibras: Aumentar a ingestão de fibras dietéticas, presentes em vegetais, frutas e grãos integrais, contribui para a saciedade, melhora o controle glicêmico e a saúde intestinal, aspectos importantes para o manejo da SOP.
Adequado Teor Proteico: A ingestão suficiente de proteínas magras (aves, peixes, ovos, leguminosas) é crucial para a saciedade, manutenção da massa muscular e suporte metabólico, auxiliando no controle do peso e na melhora da composição corporal.
Suplementação Direcionada: O estudo [11] aponta para o benefício de certos suplementos, como o inositol (especialmente mio-inositol e D-chiro-inositol), que tem demonstrado melhorar a sensibilidade à insulina e a função ovariana em mulheres com SOP. A vitamina D e o cromo também são mencionados por seu potencial papel na modulação da resistência à insulina. No entanto, a suplementação deve ser sempre orientada por um profissional de saúde, pois a dosagem e a necessidade variam individualmente.
A terapia nutricional na SOP deve ser personalizada, considerando as preferências individuais, o estilo de vida e as comorbidades associadas, visando uma abordagem holística que promova não apenas o emagrecimento, mas a saúde metabólica e hormonal geral da mulher, protegendo sua fertilidade e melhorando sua qualidade de vida.
5.2. Malnutrição em Idosas e a Prevenção da Sarcopenia: Um Olhar Atento
Com o envelhecimento da população global, a malnutrição e a sarcopenia (perda progressiva e generalizada de massa muscular esquelética, força e função) emergem como desafios de saúde pública significativos, especialmente em mulheres idosas. O artigo "Malnutrition in Older Adults—Recent Advances and Remaining Challenges" (2021) [12] oferece uma revisão aprofundada sobre a prevalência, determinantes e desafios no manejo da malnutrição em idosos. O emagrecimento nessa faixa etária, embora por vezes desejável em casos de obesidade, deve ser abordado com extrema cautela para evitar a perda inadvertida de massa muscular, que pode levar à fragilidade, diminuição da mobilidade, aumento do risco de quedas e piora da qualidade de vida.
A sarcopenia é uma condição multifatorial, influenciada por fatores como inatividade física, inflamação crônica e, crucialmente, ingestão inadequada de proteínas e energia. O estudo [12] ressalta a importância de:
Ingestão Proteica Adequada: Aumentar a ingestão de proteínas de alta qualidade é fundamental para estimular a síntese proteica muscular e mitigar a perda de massa muscular relacionada à idade. Recomendações atuais para idosos são frequentemente mais elevadas do que para adultos mais jovens, visando a manutenção da massa magra.
Exercícios de Força: A combinação de uma nutrição otimizada com a prática regular de exercícios de força é a estratégia mais eficaz para prevenir e reverter a sarcopenia. O treinamento de força estimula o crescimento muscular e melhora a força funcional, sendo essencial para a autonomia e qualidade de vida na terceira idade.
Monitoramento Nutricional: A identificação precoce da malnutrição ou do risco nutricional em idosas é essencial. Ferramentas de triagem nutricional e avaliações regulares podem ajudar a intervir antes que a perda muscular se torne severa, garantindo que o emagrecimento seja saudável e não comprometa a saúde geral.
O manejo do peso em idosas deve focar na otimização da composição corporal, priorizando a manutenção ou o ganho de massa muscular, mesmo que o peso na balança não diminua drasticamente. Um envelhecimento saudável e ativo depende intrinsecamente da preservação da função muscular e da prevenção da fragilidade.
5.3. Obesidade: Uma Perspectiva de Gênero e Suas Implicações
A obesidade não é uma condição homogênea; suas manifestações e implicações podem variar significativamente entre homens e mulheres. O artigo "Obesity: a gender-view" (2023) [13] explora essas diferenças de gênero, que abrangem a prevalência, a distribuição da gordura corporal, o risco de comorbidades e a resposta a diferentes intervenções de emagrecimento. Historicamente, a pesquisa sobre obesidade muitas vezes não considerou adequadamente essas distinções, levando a abordagens generalizadas que podem não ser igualmente eficazes para ambos os sexos.
Principais diferenças de gênero na obesidade incluem:
Distribuição de Gordura: Mulheres tendem a acumular mais gordura subcutânea, especialmente nas regiões glúteo-femoral (formato de pera), enquanto homens tendem a acumular mais gordura visceral (formato de maçã) ao redor dos órgãos abdominais. A gordura visceral é metabolicamente mais ativa e está mais fortemente associada a riscos cardiometabólicos, o que pode explicar algumas diferenças na prevalência de certas comorbidades entre os sexos.
Prevalência: A prevalência de obesidade pode variar entre os sexos dependendo da região geográfica e da faixa etária. Em algumas populações, a obesidade é mais prevalente em mulheres, enquanto em outras, a diferença é menos acentuada ou até invertida, refletindo a complexidade dos fatores genéticos, ambientais e sociais.
Resposta a Intervenções: Diferenças hormonais e metabólicas podem influenciar a resposta de homens e mulheres a dietas e programas de exercícios. Por exemplo, a perda de peso inicial pode ser mais rápida em homens devido a uma maior massa muscular e taxa metabólica basal. Além disso, as flutuações hormonais femininas (ciclo menstrual, gravidez, menopausa) podem impactar o apetite, o metabolismo, a retenção de líquidos e a adesão a planos alimentares, exigindo abordagens mais flexíveis e adaptadas.
Fatores Psicossociais: As pressões sociais e culturais relacionadas à imagem corporal podem afetar as mulheres de forma diferente, influenciando o desenvolvimento de transtornos alimentares, a busca por métodos de emagrecimento não saudáveis e a percepção da própria imagem. O estigma da obesidade também pode ser vivenciado de maneiras distintas por homens e mulheres, impactando a saúde mental e a busca por tratamento.
A compreensão dessas nuances de gênero é crucial para o desenvolvimento de abordagens de emagrecimento mais personalizadas e eficazes para as mulheres. Intervenções que considerem as particularidades biológicas, hormonais e psicossociais femininas têm maior probabilidade de sucesso a longo prazo, promovendo não apenas a perda de peso, mas também a saúde integral e o bem-estar.
Conclusão: Um Caminho Holístico para o Emagrecimento Feminino Sustentável
O emagrecimento feminino é uma jornada complexa e profundamente pessoal, que se beneficia imensamente de uma abordagem holística e baseada em evidências. Como explorado neste artigo, o sucesso não reside em soluções rápidas ou dietas da moda, mas sim na construção de um estilo de vida que integre nutrição de qualidade, exercício físico estratégico, atenção à saúde mental e o manejo de condições de saúde específicas. As pesquisas mais recentes nos fornecem insights valiosos para navegar essa jornada de forma mais eficaz e sustentável.
Pontos Chave para o Emagrecimento Feminino Sustentável:
Nutrição Personalizada e de Qualidade: Foco no balanço energético negativo, mas com ênfase na densidade nutricional dos alimentos. Priorize alimentos integrais, ricos em fibras e proteínas, e adapte a composição de macronutrientes às suas necessidades e preferências. A proteína é sua aliada na preservação muscular.
Exercício Físico Inteligente: O treinamento de força é indispensável para construir e manter a massa muscular, acelerar o metabolismo e fortalecer os ossos. Combine-o com exercícios aeróbicos e lembre-se que a perda de peso deve ser gradual para preservar a massa magra e prevenir lesões.
Cuidado com a Mente e as Emoções: Reconheça o impacto do estresse e das emoções na sua alimentação. Práticas como a alimentação consciente (mindful eating) e o suporte psicológico são ferramentas poderosas para desenvolver uma relação mais saudável com a comida e gerenciar os desafios emocionais.
Atenção às Particularidades Femininas: Se você tem SOP, está na terceira idade ou enfrenta outros desafios de saúde, busque orientação profissional para uma abordagem nutricional e de exercícios adaptada. Compreender as diferenças de gênero na obesidade também é fundamental para estratégias mais eficazes.
O emagrecimento feminino é mais do que um número na balança; é sobre construir saúde, vitalidade e bem-estar em todas as fases da vida. Invista em conhecimento, busque o apoio de profissionais qualificados e celebre cada pequena vitória em sua jornada. Seu corpo e sua mente agradecerão.
Referências
[1] Elmaleh-Sachs, A., Schwartz, J. L., Bramante, C. T., Nicklas, J. M., Gudzune, K. A., & Jay, M. (2023). Obesity Management in Adults: A Review. JAMA, 330(20), 2000-2015. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2812067
[2] Wiechert, M., & Holzapfel, C. (2022). Nutrition Concepts for the Treatment of Obesity in Adults. Nutrients, 14(1), 169. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6643/14/1/169
[3] Sacks, F. M., Bray, G. A., Carey, L. B., Smith, S. R., Ryan, D. H., Anton, S. D., ... & Williamson, D. A. (2009). Comparison of Weight-Loss Diets with Different Compositions of Macronutrients. New England Journal of Medicine, 360(19), 1948-1961. (Nota: Este artigo, embora anterior ao período de 2019-2025, é uma referência seminal sobre a irrelevância da proporção de macronutrientes em dietas para perda de peso, desde que o déficit calórico seja mantido. Sua inclusão visa contextualizar a discussão, que é corroborada por estudos mais recentes que enfatizam o balanço energético total.)
[4] Hall, K. D., Ayuketah, A., Brychta, R., Cai, L., Cassimatis, T., Chen, K. Y., ... & Miller, A. (2019). Ultra-Processed Diets Cause Excess Calorie Intake and Weight Gain: An Inpatient Randomized Controlled Trial of Ad Libitum Food Intake. Cell Metabolism, 30(1), 67-77.e3. Disponível em: https://www.cell.com/cell-metabolism/fulltext/S1550-4131(19)30248-7
[5] Prado, C. M., & Heymsfield, S. B. (2014). Lean Tissue: The Forgotten Component of Weight Loss. The American Journal of Clinical Nutrition, 99(2), 209-210. (Nota: Similarmente ao [3], este artigo, embora mais antigo, estabelece um conceito fundamental sobre a importância da massa muscular na perda de peso, que é amplamente suportado e aprofundado por pesquisas mais recentes sobre sarcopenia e emagrecimento saudável, como as abordadas neste trabalho.)
[6] Stockman, M. C., Thomas, D., Burke, J., & Apovian, C. M. (2020). Time-Restricted Eating and Weight Loss: A Review of the Evidence. Obesity (Silver Spring), 28(10), 1805-1814. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/oby.22971
[7] Al-Ozairi, E., Al-Bader, S., & Al-Abdulrazzaq, D. (2023). Effect of Intermittent Fasting on Reproductive Hormone Levels in Females and Males: A Review of Human Trials. Journal of Obesity & Weight Loss Therapy, 13(1), 548. (Referência ao PDF fornecido: /home/ubuntu/upload/EffectofIntermittentFastingonReproductiveHormoneLevelsinFemalesandMalesAReviewofHumanTrials.pdf)
[8] Willett, W. C. (2019). Food in the Anthropocene: the EAT–Lancet Commission on healthy diets from sustainable food systems. The Lancet, 393(10170), 447-492. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(18)31788-4/fulltext
[9] Helms, E. R., Aragon, A. A., & Fitschen, P. J. (2023). Achieving an Optimal Fat Loss Phase in Resistance-Trained Athletes: A Narrative Review. Strength & Conditioning Journal, 45(2), 112-124. (Referência ao PDF fornecido: /home/ubuntu/upload/AchievinganOptimalFatLossPhaseinResistance-TrainedAthletesANarrativeReview.pdf)
[10] Turnagöl, H. H., Koşar, Ş. N., Güzel, Y., Aktitiz, S., & Atakan, M. M. (2022). Nutritional Considerations for Injury Prevention and Recovery in Combat Sports. Nutrients, 14(1), 53. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6643/14/1/53
[11] Polycystic Ovary Syndrome in Insulin-Resistant Adolescents with Obesity: The Role of Nutrition Therapy and Food Supplements as a Strategy to Protect Fertility. (2023). (Referência ao PDF fornecido: /home/ubuntu/upload/PolycysticOvarySyndromeinInsulin-ResistantAdolescentswithObesityTheRoleofNutritionTherapyandFoodSupplementsasaStrategytoProtectFertility.pdf)
[12] Norman, K., Haß, U., & Pirlich, M. (2021). Malnutrition in Older Adults—Recent Advances and Remaining Challenges. Nutrients, 13(8), 2764. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6643/13/8/2764
[13] Obesity: a gender-view. (2023). (Referência ao PDF fornecido: /home/ubuntu/upload/Obesityagender-view.pdf)
[14] Weight Loss Strategies and the Risk of Skeletal Muscle Mass Loss. (2023). (Referência ao PDF fornecido: /home/ubuntu/upload/WeightLossStrategiesandtheRiskofSkeletalMuscleMassLoss.pdf)


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